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Por que a Aprovação de Zema Não se Converte em Votos Automáticos?

Romeu Zema encerra seu ciclo no Palácio Tiradentes com um patamar de aprovação sólido. De acordo com o levantamento do Paraná Pesquisas (09/03/2026), o governador detém uma aprovação resiliente de 61%, número que é confirmado pela pesquisa do Instituto Real Time Big Data (13/03/2026), que registrou os mesmos 61% de avaliação positiva.

No entanto, para o cenário político, esses números escondem um conflito: Zema possui um capital político de gestão, mas não necessariamente de transferência.

A Baixa Toxicidade como Ativo de Centro

Diferente dos padrinhos nacionais, Zema transita em uma zona de rejeição significativamente menor.

  • Comparativo de Rejeição: Enquanto a pesquisa Genial/Quaest (11/03/2026) aponta que Lula e Flávio Bolsonaro carregam rejeições de 56% e 55%, respectivamente, a rejeição de Zema é de apenas 33%.
  • Aliado para Além da Polarização: Essa baixa toxicidade pode ser importante para conquistar os votos dos eleitores moderados.

A Distância de Transferência: O X da Questão

Aqui reside o maior desafio para estrategistas: o abismo entre aprovar o governo e seguir a indicação do governante.

  1. Aprovação Administrativa: Os 61% de aprovação (Paraná Pesquisas) mostram que o mineiro gosta do Zema administrador.
  2. Voto de Indicação: Contudo, o mesmo instituto aponta que apenas 20,5% dos eleitores afirmam que o apoio do governador aumentaria sua vontade de votar em um candidato.
  3. O Diagnóstico: Existe uma diferença de aproximadamente 40 pontos. O eleitor aprova o trabalho técnico, mas mantém independência política na hora de escolher seu próprio candidato.

Cleitinho vs. Simões

Esse cenário cria um dilema para o grupo do governo, como mostram os números da Real Time Big Data (13/03/2026).

De um lado, Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera isolado com 38% das intenções de voto. De outro, o herdeiro direto de Zema, Mateus Simões (PSD), aparece com apenas 9%, apesar de todo o esforço para torná-lo conhecido.

A Estratégia da Radicalização

Para tentar diminuir essa distância entre a aprovação e o voto, Zema tem adotado uma postura mais agressiva, especialmente em críticas ao Judiciário e ao STF.

  • Engajamento da Base: Essa radicalização busca transformar o admirador quieto em um eleitor militante.
  • Barreira Ideológica: O objetivo é evitar que a base bolsonarista mineira — que a Paraná Pesquisas situa em torno de 32% de votos firmes para a direita — mude totalmente para Cleitinho.

O Peso do Padrinho Menos Tóxico

A sucessão de Zema dependerá da capacidade de seu grupo em transformar a aprovação silenciosa em votos reais. Para a direita mineira, o desafio será unificar as intenções de voto antes que a oposição ocupe o espaço deixado por essa dificuldade de passar o prestígio para um sucessor.

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