A corrida sucessória para o Palácio do Planalto em 2026 ganhou novos contornos com a divulgação da pesquisa do Instituto Veritá (registro TSE BR-02476/2026). O levantamento apresenta um cenário de liderança da oposição e acende o alerta para a campanha governista.
Com uma das maiores amostras já registradas no país, o estudo reflete as tensões de um eleitorado polarizado. A seguir, dissecamos os números, a metodologia e os impactos regionais que podem definir o futuro político do Brasil.
Primeiro Turno: A Dianteira de Flávio Bolsonaro
No cenário estimulado para o primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente com 35,9% das intenções de voto. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), registra 33,2%, configurando uma disputa acirrada entre as duas principais forças políticas.
A fragmentação da chamada terceira via é evidente, com os demais candidatos pontuando abaixo dos 5%. Confira os dados consolidados:
- Flávio Bolsonaro (PL): 35,9%
- Lula (PT): 33,2%
- Ratinho Junior (PSD): 3,0% (embora tenha desistido da disputa)
- Pablo Marçal (União): 2,1%
- Ronaldo Caiado (PSD): 1,9%
- Romeu Zema (Novo): 1,8%
- Renan Santos (Missão): 1,8%
- Aldo Rebelo (DC): 0,4%
- Brancos/Nulos: 4,1%
- Indecisos: 15,9%
A saída de Ratinho Junior da disputa é um fator crucial, pois abre espaço para a redistribuição de votos no campo da direita. A pesquisa sugere que Flávio Bolsonaro tem conseguido canalizar o espólio político de seu pai, mantendo a base conservadora mobilizada.
A Metodologia IVR e o Peso da Amostra
Um dos pontos que mais chamam a atenção na pesquisa Veritá é a sua robustez estatística. O instituto ouviu 40.500 pessoas em todo o território nacional entre os dias 13 de março e 4 de abril de 2026.
Diferente de institutos tradicionais que utilizam entrevistas presenciais, o Veritá utiliza a Unidade Automatizada de Respostas (IVR). Essa técnica usa reconhecimento de voz e transcrição automatizada, o que, segundo o instituto, reduz o viés de indução do entrevistador.
A margem de erro de apenas 1 ponto percentual permite uma leitura muito mais precisa das variações regionais e demográficas. Além disso, o nível de confiança de 95% reforça a validade dos dados para o momento atual da pré-campanha.
O Teto de Vidro: Rejeição e Desgaste Governamental
Para um candidato à reeleição, o índice de rejeição é o indicador mais perigoso, pois atua como um limitador de crescimento no segundo turno. No levantamento Veritá, 43,1% dos eleitores afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum.
Flávio Bolsonaro apresenta um índice de rejeição menor, na casa dos 34,6%. Esse diferencial de quase 10 pontos é um dos trunfos da oposição para atrair o eleitorado moderado em um eventual confronto direto.
Os outros candidatos testados possuem rejeições residuais, o que reflete mais o desconhecimento por parte da população do que uma aversão consolidada:
- Aldo Rebelo: 2,1%
- Pablo Marçal: 1,2%
- Ronaldo Caiado: 0,2%
Simulações de Segundo Turno: O Cenário de Polarização
Nas simulações de segundo turno, o Instituto Veritá aponta uma vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula por 42,8% a 38,4%. Esta distância é superior à margem de erro, indicando um favoritismo real da oposição no cenário atual.
O levantamento também testou Lula contra outros nomes, evidenciando a fragilidade do atual governo em confrontos diretos:
- Lula vs. Pablo Marçal: Empate técnico (36,8% vs 36,1%).
- Lula vs. Ronaldo Caiado: Lula lidera com 35,9% contra 31,9%.
- Lula vs. Ratinho Junior: O governador venceria o presidente por 39,8% a 36,6%.
Esses números mostram que, embora Lula mantenha uma base sólida, ele enfrenta dificuldades para vencer candidatos que se posicionam como gestores eficientes ou alternativas ao duelo PT-PL.
Recortes Regionais: O Brasil Dividido
A análise geográfica da pesquisa Veritá revela redutos eleitorais muito bem definidos e desafios estratégicos para ambos os lados.
A Muralha Conservadora no Sul e Norte
Em Santa Catarina, o domínio da direita é absoluto. Flávio Bolsonaro lidera com 56,3% no primeiro turno, contra apenas 19,5% de Lula. No segundo turno catarinense, a vantagem de Flávio salta para 66,8%.
No Pará, estado estratégico da região Norte, o cenário é similar. Flávio registra 55,3% das intenções de voto no cenário estimulado, superando Lula, que marca 37,6%. O crescimento da direita na região é impulsionado por pautas de segurança pública e agronegócio.
O Nordeste e a Fadiga do Lulismo
Pernambuco, berço político do presidente, ainda dá vitória a Lula com 43,3%, mas Flávio Bolsonaro já atinge 30,9% no estado. Pesquisas de outros institutos, como o Real Time Big Data, confirmam que Lula está perdendo fôlego em redutos históricos.
A aprovação do governo federal em Pernambuco é de 60%, mas a avaliação “ótimo/bom” cai para 42%. Isso indica que o eleitor aprova a figura pessoal de Lula, mas é crítico em relação às entregas da gestão.
O Fator Volatilidade: Nada está Definido
Apesar dos números favoráveis à oposição na pesquisa Veritá, um dado da pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026 traz uma dose de cautela. Atualmente, 51,4% dos eleitores brasileiros admitem que ainda podem mudar de voto até outubro.
A insegurança é maior justamente no campo da direita. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 60,4% afirmam que podem trocar de candidato, enquanto entre os eleitores de Lula o voto é mais cristalizado (apenas 26,6% mudariam).
Essa volatilidade sugere que o cenário captado pelo Veritá é uma fotografia do momento, influenciada por:
- Preços dos combustíveis e inflação.
- Articulação de palanques regionais.
- Presença ou ausência de nomes como Tarcísio de Freitas na campanha.
O Veritá Frente aos Demais Institutos
A pesquisa Veritá se alinha a uma tendência de crescimento da oposição também vista em outros levantamentos. O Paraná Pesquisas, em 30 de março, já apontava um empate técnico no primeiro turno (Lula 41,3% vs Flávio 37,8%).
Já o instituto AtlasIntel mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente no segundo turno pela primeira vez em abril (45,8% vs 45,5%). Em contrapartida, o Datafolha continua mantendo Lula na liderança em seus cenários presenciais, evidenciando as divergências metodológicas.
Um Alinhamento Conservador em Curso
Os dados do Instituto Veritá indicam que o Brasil atravessa um processo de realinhamento conservador. A liderança de Flávio Bolsonaro (35,9%) e sua vantagem no segundo turno sugerem que a oposição conseguiu reorganizar suas bases após o período de incerteza pós-2022.
Para o governo Lula, o desafio é reverter a rejeição de 43,1% e estancar a perda de votos em estados do Nordeste. Com mais de 50% dos eleitores abertos a mudanças, a eleição de 2026 promete ser decidida no detalhe, com as regiões Sul e Sudeste servindo de motor para a oposição, enquanto o governo tenta blindar seus redutos tradicionais.





